A apresentação destacou a evolução tecnológica no âmbito do TJAM e mostrou como o uso de inteligência artificial pode ser integrado às rotinas dos tribunais sem abrir mão da segurança da informação, da proteção de dados e da supervisão humana.
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) apresentou, nesta quarta-feira (13/8), durante o segundo dia do “XXI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça Estaduais e Militares do Brasil (Consepre)”, o Ecossistema Arandu, conjunto de soluções de inteligência artificial desenvolvido para apoiar a atividade jurisdicional e aprimorar a prestação dos serviços do Judiciário.
O painel temático 3, realizado no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, em Manaus, foi conduzido pela presidente do Comitê Gestor de Proteção de Dados do TJAM, desembargadora Vânia Maria Marques Marinho, e pelo diretor da Divisão de Inteligência Artificial do Tribunal, Rhedson Esashika.
A apresentação destacou a evolução tecnológica do Judiciário amazonense e mostrou como o uso de inteligência artificial pode ser integrado às rotinas dos tribunais sem abrir mão da segurança da informação, da proteção de dados e da supervisão humana. Entre as soluções apresentadas estão o Arandu GPT, o Arandu Chat e o Arandu Gabinete, além de ferramentas voltadas à análise de processos, pesquisa de jurisprudência e apoio à produção de documentos.
Na abertura do painel, a desembargadora Vânia Maria Marques Marinho ressaltou que o desenvolvimento das soluções foi resultado do trabalho conjunto de servidores especializados e do apoio da administração do TJAM. Segundo ela, a estratégia do Tribunal é trabalhar a inteligência artificial de forma integrada à proteção de dados e à tecnologia da informação.
“Nós buscamos construir um ecossistema. Colocamos dentro do mesmo guarda-chuva o Comitê de Proteção de Dados, o Comitê de Gestão de Inteligência Artificial e o Desenvolvimento de Tecnologia e Informação do Tribunal, porque acreditamos que esses três eixos estão intrinsecamente relacionados”, disse.
A desembargadora frisou que o avanço no uso da inteligência artificial exige, simultaneamente, mecanismos capazes de garantir a segurança das informações utilizadas pelo Poder Judiciário. Nesse contexto, destacou iniciativas de cooperação com outras instituições para o compartilhamento de experiências e o fortalecimento da proteção de dados.
“Minha maior contribuição foi reconhecer dentro do Tribunal excelentes servidores com expertise, que são os principais responsáveis pelo desenvolvimento da nossa Arandu”, afirmou Vânia Maria Marques Marinho, ao destacar o trabalho das equipes técnicas envolvidas no projeto.
Processo eletrônico em uma nova etapa
Na sequência, Rhedson Esashika apresentou a evolução do processo eletrônico para uma nova etapa, marcada pela incorporação de ferramentas de inteligência artificial capazes de auxiliar magistrados e servidores na análise e tratamento das informações processuais.
Segundo o diretor, o desafio atual é transformar o processo eletrônico em um sistema cada vez mais inteligente, com ferramentas integradas à realidade do Judiciário. Entre os recursos apresentados está a análise por similaridade, que permite comparar processos e identificar relações com o acervo de uma unidade judicial, considerando, por exemplo, partes e advogados envolvidos.
“Nós estamos em uma era em que o processo eletrônico tende e necessita ser um processo eletrônico inteligente. As ferramentas que estão sendo apresentadas vêm justamente com esse foco”, explicou Rhedson.
Arandu GPT amplia segurança no uso de IA
Um dos destaques da apresentação foi o Arandu GPT, ferramenta integrada diretamente ao acervo processual do TJAM. A solução permite que usuários trabalhem com informações dos processos por meio de recursos de inteligência artificial, inclusive para análises e geração de documentos.
A ferramenta também foi desenvolvida como resposta ao chamado Shadow AI, situação em que servidores podem recorrer a ferramentas externas de inteligência artificial para trabalhar com documentos institucionais. No modelo adotado pelo TJAM, os dados permanecem dentro da infraestrutura tecnológica do Tribunal, em ambiente de nuvem privada e sob governança institucional.
“O processo que você trabalha já está automaticamente carregado no contexto de uso do chat. Tudo isso está rodando em uma nuvem nossa, privada. Isso evita que o processo saia da nossa governança, da nossa tecnologia, e seja utilizado em ferramentas externas”, explicou Rhedson.
Durante a demonstração, o diretor apresentou funcionalidades como banco de prompts, descrição de audiências, pesquisa de jurisprudência e recursos específicos para atividades realizadas diariamente nos tribunais.
Novas ferramentas são apresentadas
Com a experiência acumulada no desenvolvimento das soluções, o TJAM apresentou durante o evento uma nova geração de ferramentas do Ecossistema Arandu: o Arandu Chat e o Arandu Gabinete.
O Arandu Chat foi desenvolvido para funcionar como uma interface de conversação conectada a ferramentas institucionais do Tribunal. A proposta é permitir que o usuário realize pesquisas e outras atividades por meio de um ambiente integrado aos recursos tecnológicos do TJAM.
Já o Arandu Gabinete é voltado à produção de minutas em gabinetes de segundo grau e está entrando em fase de projeto-piloto também em gabinetes de primeiro grau. A proposta é estruturar o fluxo de trabalho até a produção da minuta, utilizando inteligência artificial como ferramenta de apoio.
De acordo com Rhedson, as soluções apresentadas têm como base quatro pilares: governança, segurança, integração e supervisão. O objetivo é assegurar que o acesso às ferramentas seja realizado por usuários autenticados, com controle sobre as informações utilizadas e mecanismos para reduzir riscos de vazamento ou uso inadequado dos modelos de inteligência artificial.
O diretor também destacou o reconhecimento obtido pelo trabalho desenvolvido pelo TJAM. Em 2025, a iniciativa conquistou o primeiro lugar com o melhor case avaliado no ExpoJude Portugal. Em 2026, as ferramentas apresentadas ficaram em segundo lugar no ExpoJude USA, realizado em Orlando, na Flórida.
Integração com jurisprudência dos tribunais superiores
Outra frente apresentada foi a integração progressiva das soluções com bases de conhecimento jurídico. Segundo Rhedson, o TJAM trabalha para incorporar jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliando a capacidade das ferramentas de conectar inteligência artificial a dados, programas e sistemas institucionais.
A proposta é que as ferramentas possam realizar pesquisas, cruzar informações e auxiliar na análise de documentos de acordo com parâmetros definidos pelo usuário, sempre dentro do ambiente institucional.
Ao concluir a apresentação, Rhedson reforçou que a inteligência artificial deve ser compreendida como instrumento de apoio ao trabalho humano.
“A inteligência artificial não trabalha no lugar das pessoas; ela trabalha para elas, permitindo que façam ainda melhor aquilo que apenas o ser humano pode fazer”, destacou.
Supervisão humana é indispensável
Nas considerações finais, a desembargadora Vânia Maria Marques Marinho reforçou que o avanço tecnológico deve estar acompanhado de capacitação e responsabilidade no uso das ferramentas.
“Nós entendemos que a supervisão humana é imprescindível. Por isso, o Tribunal procura manter um sistema de letramento constante, não só dos magistrados, mas de todos os servidores, para que utilizemos essas ferramentas de inteligência artificial de forma segura e adequada.”
A desembargadora destacou ainda que a formação contínua é parte da estratégia do TJAM para garantir que magistrados e servidores compreendam as possibilidades e os limites das novas tecnologias.
Presidente do Consepre parabeniza iniciativa
Ao final do painel, o presidente do Consepre, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, parabenizou o TJAM pelo trabalho desenvolvido e ressaltou o desafio enfrentado pelo Poder Judiciário na adoção da inteligência artificial.
“Sabemos da dificuldade que o Poder Judiciário tem em conciliar o emprego e o uso da inteligência artificial, uma ferramenta imprescindível hoje para atender e dar vazão à demanda crescente nos nossos tribunais, com a segurança e a supervisão humana, que são imprescindíveis para que as decisões não ocorram de forma mecânica e sem a fundamentação e o liame com o caso concreto necessário”, finalizou o presidente.
#PraTodosVerem: A imagem registra a apresentação da desembargadora Vania Marques Marinho, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), durante o evento. Ao centro do palco, ela fala ao microfone e gesticula enquanto apresenta a Arandu, plataforma institucional de Inteligência Artificial do TJAM. À esquerda, está o diretor da Divisão de Inteligência Artificial e Ciência de Dados (DIA) do TJAM, Rhedson Esashika, ao lado de um púlpito de acrílico com um notebook. Ao fundo, o telão exibe o logotipo da Arandu e a identificação “Plataforma Institucional de IA – Tribunal de Justiça do Amazonas – TJAM”. O palco conta ainda com poltronas e mesas de apoio, compondo o ambiente da apresentação.
Carlos Eduardo Rocha
Foto: Chico Batata
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL | TJAM
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
(92) 99316-0660 | 2129-6771







