Por iniciativa da Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Assédio Sexual e à Discriminação (CPEAMSD/TJAM), a mostra artística “Queerzônia 2” - que reúne obras de 35 artistas - permanecerá até sexta-feira (26), no hall do Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis.
Promover o diálogo sobre direitos humanos, diversidade, inclusão e cidadania por meio da arte, reunindo produções que retratam diferentes experiências, identidades e narrativas presentes nos territórios amazônicos. Esse é o objetivo da Mostra Artística “Queerzônia 2”, que começou nesta segunda (22/6) e que acontece até a próxima sexta-feira (26/6) no Hall do Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis. A iniciativa é da Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Assédio Sexual e à Discriminação (CPEAMSD) do Tribunal de Justiça do Amazonas e integra a programação institucional alusiva ao “Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+”, celebrado em 28 de junho.
A solenidade de abertura foi realizada nesta manhã de segunda-feira com a presença da presidente da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Assédio Sexual e da Discriminação – no 1.º Grau (CPEAMSD/TJAM) juíza Luciana Eira Nasser; da juíza titular da 2ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual e Municipal, Anagali Bertazzo; do juiz da Vara de Garantias Penais e de Inquéritos Policiais, Marcelo Cruz de Oliveira (que representou a diretora do Fórum Henoch Reis, desembargadora Mirza Telma); da segunda subdefensora pública geral, Sarah de Sousa Lobo (representando a Defensoria do Estado do Amazonas (DPE/AM)); do coordenador acadêmico da Faculdade de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor José Mário Silva de Oliveira; e de artistas responsáveis pelas obras.
As criações ficarão expostas no hall do Fórum Henoch Reis durante toda a semana, das 9h às 14h, com a curadoria de Átila Simonsen, Juliana Bleides, Marcelo Rufino e Rodrigo Melo.
A exposição é realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna do Amazonas e consiste em uma reunião das obras de 35 artistas LGBTQIAPN+ e aliados de diversos estados brasileiros, sendo composta por fotografias, telas de pintura, obras feitas digitalmente esculturas e outras intervenções artísticas de diferentes linguagens.
Participam os artistas Adriel Castro; Alexandre Moretz-Sohn; Anete Valdevino; Art Monteiro; Bruna Mazzotti; Bruna Pollari; Bruxa Poluída; Dani Sateré; Dayo do Nascimento; Enma Fuzinatto; Estevan Leandro; Fábio Jesus; Gabriel de Andrade; Gengo Mori; Henry Martínez; Introspective Arts; Jackson Gatell; Jane Uchôa; Jennifer Gemaque; Lars; Lila Costa; Lu da Silva; Lucca; Mel Melissa Maurer; Nalud Ahnnis; Paulo Holanda; PC; Peixa; Priscilla Ramos; Robson Xavier; Sakiko; Selma Carvalho; Subproduto; Tainá Andes e; Zéro.
Esta segunda edição também presta homenagem aos artistas visuais Ana Cláudia Jatahy, Cristóvão Coutinho, Oscar Ramos (in memoriam) e Sebastião Alves.
Oficina criativa
Além disso, no dia 24 (quarta-feira), das 9h às 14h, na sala de aula da Escola Judicial (Ejud) que também funciona no fórum, acontecerá a “Oficina Criativa Queerzônia 2”.
Sem estereótipos
De acordo com um dos curadores da exposição, Rodrigo Melo, as obras retratam a vivência das pessoas LGBTQIAPN+ de uma forma não estereotipada, para além daquilo que é o convencional de se mostrar e principalmente neste mês do Orgulho.
“Estamos trazendo como protagonismo a vivência dessas pessoas LGBTQIAPN+ como uma forma de provocar sensibilidade dentro do Poder Judiciário para esses assuntos relacionados a essa comunidade, que também faz parte como destinatário dos serviços da Justiça. É importante que haja essa sensibilização à frente das demandas”, explicou o curador.
Respeito
Segundo destaca a magistrada Luciana da Eira Nasser, a Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e à Discriminação tem, entre suas atribuições, a promoção de ações educativas e preventivas voltadas à construção de ambientes casa vez mais respeitos, inclusivos e acolhedores. A juíza pontuou que o enfrentamento às mais diversas formas de discriminação passa também pela educação, pela cultura e pela valorização das diferentes experiências humanas.
“A realização desta mostra, em parceria com o Museu de Arte Moderna do Amazonas, reforça esse compromisso institucional. Onde o preconceito constrói barreiras, a expressão artística abre canais de empatia. Cada pincelada, fotografia ou escultura exposta nestes corredores desafia o status quo e nos convida a enxergar a beleza da pluralidade humana. Historicamente os fóruns foram vistos como espaços de solenidade austera, por vezes distantes, onde o Direito se aplicava de forma fria. Mas a Justiça moderna precisa pulsar com a realidade do seu tempo. E a realidade nos mostra que o preconceito, a homofobia, a transfobia e o assédio ainda silenciam e ferem milhares de pessoas todos os dias”, disse Luciana da Eira Nasser.
Imagens
Uma das artistas que expõe no “Queerzônia 2” e simpatizante do movimento LGBTQIAPN+, Anete Valdevino trouxe para o hall do fórum as obras “Entre o que vejo e o que me reconhece” e “A arte da metamorfose”, que exploram a relação entre imagem, identidade e percepção ao inserir o espectador como parte da composição. Nela, se destaca um espelho central no tamanho de 70cm x 60cm em meio a máscaras feitas com papel, tinta e cola que visam promover um encontro entre exterioridade e subjetividade, enquanto os rostos e grafismos evocam memória, pertencimento e ancestralidade. Ao se refletir o observador deixa de ser apenas público e passa a integrar a própria obra. Além do espelho, há outras máscaras coloridas que compõem um diversificado cenário.
“Nela a arte se completa com a pessoa que está vendo. As máscaras são diversas em uma sociedade. E o que eu sou dentro disso tudo? Existem vários significados: olhos, figuras, desenhos, que representam essa questão. Acho que estar aqui no fórum expondo uma obra é a consolidação do que falamos sempre na sociedade, do que é para todo mundo, mas que há lugares onde nós não entramos. Essa é a representatividade: de estar em todo lugar. Você pode estar em todo lugar e fazer parte de todos os locais. Vejo que a sociedade está tendo novos olhares, novos rumos e estamos adentrando em todos os pontos com a nossa arte”, afirmou a artista plástica.
A exposição ganha ainda mais caráter inclusivo ao contar com o artista costarriquenho cego Henry Martínez, que é antropólogo. Ele trouxe a obra “Caçando às cegas”, que nasceu de uma pesquisa sobre a experiência de pessoas com deficiência visual nos aplicativos de relacionamento Tinder e Grindr. E, a partir de relatos e elementos do cotidiano, denuncia o capacitismo e afirma o direito à sexualidade, ao afeto e à visibilidade.
“Essa obra está construída com diálogos, conversas e objetos próprios das interações que nós temos quando procuramos relacionamento em aplicativos. Para mim, expôr aqui é uma oportunidade muito legal de colocar outras formas de arte não só visuais, ainda que tenham elementos visuais mas com muitas texturas. Para as pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ essa exposição é uma forma muito legal de falar que estamos aqui presentes dentro do arco íris. E com diversas formas de viver a sexualidade com seus desafios próprios e coisas difíceis.
Debates
Conforme a Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Assédio Sexual e à Discriminação do TJAM, a realização da “Mostra Queerzônia 2” antecede o "2.º Ciclo pelo Orgulho e pela Diversidade no Poder Judiciário do Amazonas", que será promovido em parceria com o TRT da 11.ª Região, nos dias 9 e 10 do próximo mês de julho, ampliando as ações institucionais voltadas à promoção da diversidade, da inclusão e dos direitos da população LGBTQIA+.
Enquanto a mostra utiliza a arte como instrumento de sensibilização e reflexão, o Ciclo proporcionará espaços de debate técnico, acadêmico e social sobre temas relacionados à diversidade, empregabilidade, cidadania e justiça.
#PraTodosVerem: A imagem mostra uma mulher em um ambiente artístico, cercada por figurinos e elementos cenográficos coloridos. Ela aparece ao centro da cena, usando uma roupa preta com detalhes brilhantes e um adorno branco na cabeça, enquanto segura uma máscara ou cabeça de boneco decorada com lantejoulas douradas e cabelos encaracolados. À esquerda da fotografia, destaca-se uma grande máscara ou fantasia de tigre, com expressão marcante, olhos amarelos e detalhes em preto, laranja e brancoPróximo a ela, há também um elemento listrado em preto e branco e tecidos brilhantes em tons de verde e rosa.
Paulo André Nunes
Fotos: Raphael Alves
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL | TJAM
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