Nova versão da ferramenta incorpora inteligência artificial, recursos interativos, acesso por dispositivos móveis e módulo de gestão de conteúdo para fortalecer a cultura de proteção de dados no Judiciário amazonense.
Na manhã desta segunda-feira (15/6) o Comitê Gestor de Proteção de Dados do Tribunal de Justiça do Amazonas (CGPD/TJAM), presidido pela desembargadora Vânia Maria Marques Marinho, representantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Samsung apresentaram ao presidente da Corte Estadual, desembargador Jomar Fernandes, o cronograma e implementações da plataforma com inteligência artificial para ensino e conscientização sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a plataforma LGPD Play.
O projeto
Desenvolvido a partir de 2025 com recursos do Programa Prioritário de Interesse Público (PPI) da Suframa, o projeto "LGPD Play" resulta de uma parceria entre o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Samsung. A iniciativa tem como foco uma plataforma web gamificada com inteligência artificial para capacitação e conscientização sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A parceria também resultou na criação do curso de Pós-Graduação lato sensu em Gestão de Tecnologia Aplicada à Segurança de Dados, voltado para servidores do TJAM e de instituições parceiras.
De acordo com a desembargadora Vânia, o LGPD Play foi concebido como uma ferramenta de capacitação capaz de aproximar os servidores dos conceitos e das exigências estabelecidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), utilizando uma linguagem acessível e recursos interativos.
A primeira etapa de implantação será voltada ao público interno do Tribunal. Ela destacou que diversas medidas de segurança adotadas nos últimos anos, como restrições de acesso a sistemas e a vedação do uso de dispositivos externos de armazenamento, muitas vezes não são plenamente compreendidas pelos servidores. Nesse contexto, a plataforma surge como uma forma didática de demonstrar a importância dessas medidas para a prevenção de vazamentos e a proteção de informações sensíveis.
A coordenadora ressaltou ainda que a proteção de dados envolve mudanças práticas no cotidiano institucional, citando como exemplo a reformulação dos crachás funcionais, que deixaram de exibir informações pessoais desnecessárias, como o CPF dos servidores, reduzindo riscos relacionados ao uso indevido desses dados.
Para a magistrada, o uso da gamificação contribuirá para tornar o aprendizado mais atrativo e eficiente. “A plataforma traz a informação, reforça esse conteúdo por meio de quizzes e atividades interativas e permite que o servidor compreenda a legislação de forma mais dinâmica e acessível”, afirmou.
A desembargadora acrescentou que, após a consolidação da ferramenta junto ao público interno, o Tribunal pretende avaliar formas de disponibilizar versões adaptadas para o público externo, contribuindo para ampliar a compreensão da sociedade sobre a necessidade de proteção de dados e as restrições legais aplicadas ao acesso de determinadas informações.
Durante a reunião, o presidente do TJAM agradeceu o empenho dos integrantes das equipes do CGPD/TJAM e das instituições envolvidas e avaliou a importância do esclarecimento sobre o cuidado com a manipulação de informações.
“Ainda será necessário um período de adaptação para que as pessoas compreendam plenamente os efeitos da legislação que regulamenta o tratamento de dados. Muitas vezes, há o entendimento de que toda informação pública deve estar integralmente acessível. Entretanto, a Lei Geral de Proteção de Dados estabelece limites e critérios para a divulgação de determinadas informações. Essa compreensão também precisa avançar nas relações digitais entre as instituições, justamente em razão das novas exigências trazidas pela legislação”, avaliou o desembargador Jomar Fernandes.
Participaram da reunião, representando a Samsung, o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), José Cambeiro, e a analista de P&D, Adriele Lira. Pela UEA, estiveram presentes o professor Alcian Pereira de Souza, coordenador-geral do projeto, além de Kátia Neles, Tatiane Lopes e Alessandro Bezerra. Também participaram a secretária-geral do TJAM, Marília Cabral, os servidores e integrantes do CGPD/TJAM Fabiola Borges, Paulo Morais, Rhedson Esashika e Breno Corado.
Implementações da nova versão
A nova versão do LGPD Play trouxe avanços significativos na experiência de capacitação dos servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Entre as principais melhorias estão a ampliação dos formatos de lição, a adaptação da plataforma para acesso por celulares e tablets e a criação de um módulo completo de administração de conteúdo.
A interface foi reformulada para tornar a jornada de aprendizagem mais intuitiva, com identificação dos níveis de dificuldade das unidades e organização das atividades em etapas voltadas ao aprendizado, fixação, aprofundamento e aplicação prática dos conceitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Também foram incorporados novos recursos interativos, como podcasts com perguntas integradas (Podquiz), exercícios de identificação de informações, associação de conceitos, preenchimento de lacunas e atividades de arrastar e soltar, ampliando as possibilidades de engajamento e retenção do conhecimento.
Outra novidade é o módulo de gestão do curso, que permite a criação, edição, publicação de unidades e o gerenciamento de permissões de usuários em diferentes níveis de acesso. As melhorias preparam a plataforma para futuras expansões e novas funcionalidades voltadas à gamificação e ao fortalecimento do aprendizado contínuo.
Frutos da cooperação técnica
A cooperação firmada em 2025 entre o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Samsung, com recursos do Programa Prioritário de Interesse Público (PPI) da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), resultou em outra iniciativa focada no fortalecimento da proteção de dados e da inovação tecnológica no Amazonas: o desenvolvimento da plataforma LGPD Play e a criação do curso de Pós-Graduação lato sensu em Gestão de Tecnologia Aplicada à Segurança de Dados.
A pós-graduação, com carga horária de 360 horas, encontra-se em andamento e reúne servidores do TJAM e da UEA, colaboradores da Samsung, integrantes da Rede Amazonense de Proteção de Dados e representantes de diversas instituições parceiras, como Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Tribunal Regional do Trabalho da 11.ª Região (TRT-11), Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), Controladoria-Geral do Estado (CGE-AM) e Processamento de Dados Amazonas S.A. (PRODAM), além de participantes da comunidade em geral.
A primeira turma teve início em setembro de 2025 e está com a conclusão prevista para novembro de 2026, contribuindo para a formação de profissionais capacitados a atuar na gestão da segurança da informação, governança de dados e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Sandra Bezerra
Foto: Chico Batata
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