1.° Juizado Maria da Penha promove oficina sobre empregabilidade e tecnologias sociais para mulheres em situação de violência

A atividade, organizada pela equipe multidisciplinar do Juizado, integrou a programação da “19.ª Semana Justiça pela Paz em Casa”.


 

Oficina Penha5

Trinta e uma mulheres em situação de violência, atendidas pelo 1.° Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher ("1.º Juizado Maria da Penha”), participaram na terça-feira (23/11) da “Oficina de Empregabilidade e Tecnologias Sociais", organizada pela Equipe Multidisciplinar do Juizado, em parceria com a Associação das Donas de Casa do Estado do Amazonas (ADCEA). O evento foi realizado das 13h30 às 16h30, na sala de apoio da Vara de Execuções de Medidas e Penas Alternativas (Vemepa), no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, no São Francisco, zona Centro-Sul, como parte das atividades da "19.ª Semana Justiça pela Paz em Casa", que acontece até esta sexta-feira (26).

A oficina foi organizada com o objetivo de proporcionar às participantes a oportunidade de se qualificarem e desenvolverem habilidades que possam contribuir para a geração de renda e o empoderamento feminino. "Esse tipo de atividade é muito importante para as mulheres, pois abre perspectivas para a sua empregabilidade e o rompimento do ciclo da violência, uma vez que a dependência financeira é um dos fatores que dificulta a saída de muitas mulheres da relação de violência em que se encontram”, avaliou a titular do “1.° Juizado Maria da Penha”, juíza Ana Lorena Gazzineo.

Palestrante convidada, a assistente social Terezinha Araújo falou sobre o trabalho da ADCEA, que faz parte do projeto “Potência Feminina”. “Quando a gente fala de potência feminina, pensa no quanto essas mulheres têm enfrentado durante a pandemia, as suas dificuldades nas múltiplas situações que vivenciam. O “Potência” vem com uma roupagem de qualificar, empoderar e transformar essas mulheres em donas do próprio destino, da própria vida para que tenham poder de decisão”, disse a palestrante. Terezinha frisou que a oficina foi mesclada com os temas empregabilidade e tecnologia social em função do público selecionado ter objetivo específico para vagas no mercado de trabalho. “Acredito que foi muito proveitoso e trouxe para as participantes muitas informações, no momento em que buscam se qualificar e se apropriar desse conhecimento para buscar uma vaga no mercado de trabalho”, finalizou.

Para as participantes, a oficina trouxe a certeza de que o conhecimento traz o poder para construir uma nova realidade, independentemente do tempo, como destacou S.O.A, 59 anos de idade, que se denominou “uma sobrevivente” por ter vivenciado 40 anos de violência. “Sempre que me convidam para essas oficinas eu penso que nada é tão bom que não possa melhorar. Durante todo esses anos eu busquei saídas. Eu busquei essa oficina para me superar, para superar muitas coisas e até para sobreviver, não depender dele. Só tenho a agradecer ao Tribunal, à equipe do Juizado. Isso aqui realmente funciona e muita gente pensa que não. As mulheres precisam acreditar, participar, evitar muitas coisas. Se você está protegida por uma medida protetiva você também não vai ficar se expondo né. Então, a responsabilidade não é somente de vocês (do Juizado), é nossa também”, avaliou a participante.

Para ela, denunciar o ofensor foi muito difícil e um processo doloroso. “É um altos e baixos. Um dia estou bem e no outro estou péssima. Só consegui me manter firme na decisão porque, quando procurei vocês (do Juizado), fui bem atendida, isso me fortaleceu para que eu continuasse. Houve momentos em que pensei em desistir, mas aí vinham vocês e me 'cutucavam' dizendo “é por aí, vai devagar” e tudo mais. Foi um sofrimento muito grande e agradeço muito a vocês por terem me apoiado. Vejo uma luz para mim, que já não via mais, passei a acreditar que minha vida poderia mudar, melhorar. É claro que eu perdi 40 anos, mas eu também posso recuperar isso em dois dias. Posso ser alegre dois dias e essa alegria equivale a 80 anos”, afirmou S.O.A.

Aos 33 anos de idade, T.A.S.F. avaliou a importância de participar do evento organizado pelo “1.º Juizado Maria da Penha” e a perspectiva do fim do ciclo de violência doméstica vivenciada. “Esse evento busca retirar a mulher de um ciclo de vulnerabilidade, dando a cada uma de nós a opção de se automotivar a ser independente, melhorar nossas condições, até visando a um processo de desapego e total controle de nossa própria vida. Gostei muito da palestra e agradeço o convite que recebi para participar”, declarou.

T.A.S.F também ressaltou não ter sido fácil denunciar o agressor devido ao envolvimento sentimental que tinha com ele. “É difícil até pela ligação sentimental com a pessoa. Mas, graças a Deus, eu tenho tido apoio dos órgãos responsáveis, no andamento do processo; apoio psicológico, reuniões, e isso tem ajudado muito a levantar a autoestima. Dá mais confiança. A Justiça tem dado andamento no processo e é um alívio que a gente precisa ter nesse momento, pois enquanto estamos na situação de violência acaba perdendo um pouco da estabilidade psicológica, que faz a gente se sentir pouco segura”, disse.

Com o desejo de se inserir no mercado de trabalho, K.K.I.S, 29 anos, achou muito interessante a possibilidade de se atualizar na Oficina promovida pelo Juizado. “Aprendi muitas coisas novas e sobre mudanças no mercado de trabalho, perfil tecnológico, o que as empresas realmente procuram porque desde a última vez que entreguei meu último currículo em um RH, muita coisa mudou e hoje funcionou como uma reciclagem”, disse ela.

K.K.I.S. elogiou o conteúdo da oficina e a metodologia da palestrante. “Ela foi clara quando nos ensinou que temos a força, o potencial, a saúde, disposição e também nossos conhecimentos para que possamos trabalhar e colocar em prática tudo isso que estamos aprendendo. Podemos fazer toda diferença, não apenas na nossa vida para conseguir independência financeira, mas na construção do nosso eu,, no nosso relacionamento em casa, no trabalho, com os vizinhos, com os colegas”, afirmou.

K.K.I.S também falou sobre o quanto foi difícil denunciar o agressor, o que fez ao receber o apoio de um amigo que a conduziu à Comissão de Direito da Mulher, da OAB-AM, num momento em que já não aguentava mais tanto sofrimento. “Na Comissão me apresentaram os caminhos que eu poderia trilhar para conseguir ajuda e vi que eu tinha amparo, proteção. Imediatamente me arrependi por não ter feito antes a denúncia. A demora em denunciar o agressor trouxe consequências não só para mim, mas também para meu filho e para minha família. Ao chegar aqui, no Juizado, recebi todo amparo, proteção, tanto é que até o dia de hoje estão nos ajudando com essas oficinas”, afirmou, acrescentando que além das medidas protetivas que a Justiça expediu em seu favor, pôde compartilhar com a equipe multidisciplinar do Juizado muitas coisas que queria falar, mas sobre as quais não tinha com quem conversar. “A orientação que a psicóloga me deu no primeiro dia, naquele momento não dei atenção, mas depois avaliei e fiz o que foi orientado. A conversa me ajudou muito a me desenvolver porque logo que acontece a violência a gente fica retraída, triste e cheguei até a ter depressão. Fiquei com medo e não fui logo buscar atendimento, mas quando obtive ajuda melhorei em todos os aspectos, físico, emocional e de saúde, porque a violência afeta até a nossa saúde”, finalizou K.K.I.S.

 

 #PraCegoVer: Na imagem que ilustra a matéria aparece à esquerda a titular do “1.° Juizado Maria da Penha”, juíza Ana Lorena Gazzineo, falando ao microfone com as participantes do “Oficina de Empregabilidade e Tecnologias Sociais"; ao centro a assistente social Terezinha Araújo e; à direita a assistente social que atua no 1.º Juizado Maria da Penha, Celi Cristina Nunes Cavalcante.  

 

Sandra Bezerra

Fotos: Acervo do 1.º Juizado Maria da Penha

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