Subcomitê de Saúde anuncia programação de webinars desta semana, da Campanha Setembro Amarelo


Setembro Amarelo arte15.jpg.jpegSetembro Amarelo arte17.jpgNesta terça-feira (15), às 13h (horário Manaus), terá continuidade a programação de webinars da “Campanha Setembro Amarelo”, organizada pelo Subcomitê de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas. O evento online terá transmissão pelo canal do TJAM na plataforma YouTube, abordando o tema: “Suicídio: informando para prevenir”.

O webinar terá como mediador o capelão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) Antônio Rocha e como palestrantes convidados a assistente social Jéssica Oran; o representante do Centro de Valorização da Vida (CVV) José Camacho e o professor doutor Daniel Pinheiro, psicólogo da Faculdade Santa Teresa.

Os magistrados e servidores das Comarcas de Apuí; Borba; Humaitá; Manicoré; Novo Aripuanã (5.ª Sub-região) e Barcelos; São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro (6.ª Sub-região) terão a oportunidade de interagir com os palestrantes, por meio da plataforma Zoom.

Na quinta-feira (17), também às 13h (horário Manaus), acontece o quarto webinar programado pelo subcomitê como parte do “Setembro Amarelo”. Nesta data, a mediação do evento online ficará com a psicóloga do TJAM Aline Gomes, e os palestrantes convidados serão as psicólogas Karla Jeannine, do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), e Andreia Lima, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS).

No quarto webinar, a interação pela plataforma Zoom estará aberta para os magistrados e servidores das comarcas da 7.ª Sub-região (Anamã; Anori; Autazes; Beruri; Caapiranga; Careiro; Coari; Codajás; Careiro da Várzea; Iranduba; Manacapuru; Manaquiri; Novo Airão e Rio Preto da Eva).

Preconceito

Comunicação e preconceito foram as questões ressaltadas no segundo webinar, quinta-feira (10), sobre a importância da informação para a prevenção do suicídio. No início dos debates, a mediadora do dia, psicóloga clínica Sandra Desideri, pediu aos palestrantes convidados – a psicóloga cearense Ranielly Rangel e o psicanalista Henrique Silva, de São Paulo – que falassem sobre como é possível identificar em si mesmo e nas pessoas próximas, os indícios da dor profunda que pode levar a uma atitude extrema, como o suicídio.

O psicanalista Henrique Silva chamou atenção para o fato de que é necessário aprender a diferenciar o nível e a importância do sofrimento. “Todos nós enfrentamos perdas ao longo da vida e somos convidados a sofrer de vez em quando, a lidar com essas nossas perdas. O que vai nos diferenciar, às vezes, é a nossa capacidade de lidar com isso, capacidade essa que vem do nosso processo de amadurecimento; do que conquistamos; dos apoios que recebemos; das chances que tivemos de amadurecer e de sobreviver bem a essas perdas e dores. Esse é o sofrimento, ele é inevitável, é inerente, não nos destrói, nos entristece. Mas sabemos o quanto a palavra tristeza virou sinônimo de uma coisa muito perigosa. Existem muitas pessoas mentalizando a tristeza como se ela fosse uma depressão e não é. Isso atrapalha, inclusive, determinados diagnósticos. Quando eu separo o sofrimento, separo do desespero que se aproxima de uma dor profunda”, explicou Henrique.

O psicanalista afirmou que a dor profunda desconecta a pessoa de importantes pilares. “Na dor profunda nos encontramos em uma posição de perda de confiança do que está ao redor; perda da confiabilidade ambiental significa que a pessoa para de se comunicar e só resta o processo de retraimento, o que a aproxima de adoecimentos perigosos. É comum observar sinais de desconexão nas pessoas; falta de comunicação e desinteresse pela vida”, disse.

A desconexão com o ambiente foi denominada pelo psicanalista de “um beco sem saída”. “É aí que acontecem os impulsos autodestrutivos, seja através de ideias, fantasias ou atos. Por trás desse ato suicida, muitas vezes, existe um desencontro entre as pessoas, onde elas perderam a capacidade de se comunicar e de se encontrar com o outro”, avaliou.

Os especialistas chamaram atenção para a importância de diferenciar tal comportamento da conhecida “timidez”, um comportamento normal, não necessariamente de um suicida, sendo importante que as pessoas tímidas não sofram preconceitos para não levar a um padrão de comportamento mais retraído. “A não-integração e dificuldades de comunicação; de postura; de participação; de gestos podemos dizer que está se transformando em retraimento; em não dividir as coisas; não participar de momentos compartilhados. Quando a pessoa divide seus momentos prazerosos cria uma conexão com o outro e a chance de comunicar”, orienta o psicanalista.

Segundo ele, em ambiente familiar, no trabalho, entre outros é importante não estigmatizar o outro com estereótipos e brincadeiras que tiram a possibilidade da pessoa se integrar. “Às vezes a gente observa alguém com uma postura muito dura, muito isolada, muito difícil e fica com receio de se aproximar. Isso te levanta ali uma barreira que faz com que a gente não se aproxime e transfira essa responsabilidade para um profissional. Eu acho que é um alerta, alguma coisa tá acontecendo, antes de mais nada vai lá conversar, se encosta. Eu lembro sempre do trabalho do luto. Como no trabalho do luto, qualquer pessoa é fundamental ao outro, ‘Ah, mas eu não sei o que dizer’. Mas o que é que se diz na hora do luto? Nada, não tem nenhuma palavra na hora do luto. Mas a minha presença serve, então a gente encosta de ombro com ombro, fica por ali, porque isso tem um significado fundamental”, afirma o professor Henrique.

Para a psicóloga Ranielly, a questão do preconceito precisa ser desmistificada quando se fala em suicídio, alertando para o fato de o suicídio ser uma doença multifatorial, com vários gatilhos, construídos por anos e que podem disparar em um acontecimento, que não necessariamente é o fator que gerou a doença. “Acho muito importante a gente entender que um suicida foi uma pessoa doente mental, que cometeu o suicídio. Faço esse um link com a questão do preconceito, porque muitas vezes essa a doença não é tratada por causa dos estigmas e preconceitos que a gente coloca. Todo mundo está sujeito à doença mental”, frisou Ranielly.

Segundo ela, a depressão está muito associada à ansiedade, comum nos dias de hoje e inerente a qualquer pessoa, por isso é preciso derrubar estigmas e preconceitos do que é ter uma doença mental; ter que usar remédios em razão de desequilíbrio químico e visitar o psiquiatra. “Ás vezes, estamos com algum desequilíbrio químico, biológico e o remédio vai vir como uma soma para ajudar você se organizar”, explica. Segundo a psicóloga, não há como identificar um suicida. “Às vezes, são pessoas que você olha mas nem imagina que elas pensam em suicidar. Às vezes, são pessoas de vida socialmente bem-vista; espontâneas; alegres. São pessoas passíveis ao sofrimento que, muitas vezes, não sabem lidar e tem julgamentos dos demais”, avalia a psicóloga.

Para Ranielly ainda é preciso falar mais sobre promoção de saúde; de vida e sobre cuidado com a saúde mental e emocional.

 

 

Sandra Bezerra

Arte: Igor Braga

Revisão de texto: Joyce Tino

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Semana do Judiciário 9 de julho de 2020
Este programa é produzido pela edquipe da Divisão de Divulgação e Imprensa do TJAM.
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