PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO DE MULHERES E AUTORES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E AS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIOLÊNCIA NO ANO DE 2025

Levantamentos do TJAM traçam o perfil de mulheres em situação de violência doméstica e autores no município de Manaus - estudos apontam impacto das desigualdades sociais, dependência econômica e persistência da violência nas relações íntimas

 

 

O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) divulgou estudos elaborados por equipes multidisciplinares dos Juizados Especializados no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que traçam o perfil de mulheres em situação de violência e autores em Manaus ao longo de 2025.

 

Produzido pelos 1º e 4º Juizados, o levantamento com 263 mulheres aponta que a maioria das mulheres em situação de violência tem entre 18 e 52 anos, é negra e possui filhos, fator que pode dificultar o rompimento do ciclo de violência. Os dados também evidenciam forte vulnerabilidade socioeconômica: grande parte vive com até um salário mínimo ou não possui renda, e apenas uma pequena parcela tem emprego formal.

 

O estudo também aponta a baixa representatividade de mulheres indígenas nos registros, o que não necessariamente indica menor incidência de violência, mas pode refletir subnotificação. Barreiras geográficas, dificuldades de acesso à rede de proteção e especificidades culturais contribuem para a invisibilidade desses casos. No contexto das populações ribeirinhas, o isolamento territorial e a distância dos centros urbanos dificultam o acesso à justiça e aos mecanismos de proteção.

 

Além disso, a violência se manifesta em diferentes níveis de escolaridade e apresenta maior concentração nas zonas Norte e Leste de Manaus, indicando a necessidade de políticas públicas territorializadas.

 

No mesmo recorte, a análise de 126 homens autores de violência mostra maior incidência entre 25 e 45 anos. A maioria possui filhos e mantém ou manteve vínculo afetivo, inclusive após a separação. Os dados reforçam que a violência doméstica não está restrita à baixa escolaridade ou à extrema pobreza, mas constitui um fenômeno estrutural.

 

Já o levantamento realizado pelos 3º e 6º Juizados confirma padrões semelhantes e aprofunda a análise sobre vulnerabilidades. A pesquisa destaca que a maioria das mulheres tem entre 18 e 44 anos, é negra e possui filhos, além de enfrentar dependência financeira, desemprego ou inserção precária no mercado de trabalho.

 

O estudo também chama atenção para a incidência de violência em relações não formalizadas ou já encerradas, demonstrando que a separação não elimina, e pode até intensificar, os riscos.

 

Para o TJAM, a sistematização desses dados é fundamental para o direcionamento de políticas públicas mais eficazes, fortalecer a rede de proteção e ampliar estratégias de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.

 

Clique abaixo para acessar os relatórios completos.

 

 

 

Perfil Mulher1 1

Para o infográfico – mulheres (1º e 4º Juizados), clique aqui.

 

 

 

 

perfil homem 1

Para o infográfico – autores (1º e 4º Juizados), clique aqui.

 

 

 

 

perfil mulher 3

Para o relatório – mulheres (3º e 6º Juizados), clique aqui.

 

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