A atividade reuniu profissionais do Judiciário e de órgãos parceiros para discutir a invisibilidade e os desafios dessas populações.

O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), por meio da Escola Judicial (Ejud/TJAM), realizou na última terça-feira (9/6) mais um encontro do programa Gênero em Foco. A atividade aconteceu na modalidade on-line síncrona, pelo Google Meet, e contou com a participação de servidoras, servidores e representantes de instituições parceiras da rede de proteção.
A pesquisadora Ana Maria Noguera Duran conduziu a discussão sobre o envelhecimento e a violência contra a mulher indígena. A palestrante é mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora de pós-doutorado na Universitat Oberta de Catalunya, instituição de ensino superior localizada em Barcelona, na Espanha.
Durante a aula, o grupo debateu a necessidade de interligar os eixos de gênero, idade e identidade indígena nas pesquisas acadêmicas e nas políticas públicas. O debate destacou que as discussões atuais costumam tratar esses temas de forma isolada, o que contribui para a invisibilização das mulheres indígenas mais velhas nos registros oficiais e nas ações do Estado.
A palestrante explorou o conceito de corpo-território para explicar como essas mulheres sofrem violências múltiplas. Entre os problemas citados estão a falta de políticas específicas, o silenciamento institucional e o desrespeito aos conhecimentos ancestrais. A pesquisadora referiu-se às mulheres mais velhas como bibliotecas vivas que, apesar de carregarem saber vivo, muitas vezes não recebem assistência ou visibilidade estatal.
A discussão também focou no papel do sistema de justiça na garantia de direitos. O encontro provocou reflexões sobre como essas demandas muitas vezes nem chegam aos tribunais ou às pautas de formação, dificultando a efetivação da justiça para esse grupo social.
A pesquisadora Ana Duran destacou o papel central que o Estado do Amazonas pode desempenhar ao reconhecer que mulheres vítimas de violência doméstica exigem olhar para suas realidades de forma situada e interseccional. “Isso implica ir além da adaptação de leis e investir em práticas concretas: melhorar a coleta de dados com recortes de gênero, idade e pertencimento étnico; considerar barreiras territoriais como o isolamento geográfico; e desenvolver políticas de saúde e proteção social que respeitem as línguas, culturas e formas próprias de cuidado”, salientou a palestrante.
Os próximos encontros estão previstos para os dias 23 de junho e 14 de julho. A atividade será presencial e acontecerá na sala de aula da Escola Judicial, no terceiro andar, setor 3, no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, zona Centro-Sul de Manaus.
#ParaTodosVerem: A imagem que ilustra a matéria mostra uma captura de tela da reunião on-line no Google Meet. Na tela, aparecem diversos quadros com os rostos das participantes e dos participantes. Ao centro, destaca-se a imagem da palestrante Ana Maria Noguera Duran durante a exposição do conteúdo.
Texto e Foto: Igor Braga | Ejud