|HOMENAGEM ESMAM| Desembargador Aristóteles Lima Thury, um magistrado vocacionado e apaixonado pela justiça

Des ThuryA Escola Superior de Magistratura do Amazonas (ESMAM), recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento  do desembargador Aristóteles Lima Thury, em decorrência de complicações da Covid-19. Thury era presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e foi diagnosticado com a doença no dia 2 de janeiro. O magistrado de 71 anos iniciou o tratamento para o novo Corona vírus em um hospital particular de Manaus, e depois foi transferido para o hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, mas não resistiu e veio a óbito no dia 14 de fevereiro. Pegou a todos de surpresa, ninguém imaginava que aquela fortaleza, cheio de vitalidade e bom humor, não voltaria para o nosso convívio.

Aristóteles Lima Thury foi promovido ao cargo de presidente do TRE-AM para o Biênio 2020/2022 no dia 7 de maio do ano passado.  O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) lamentou a morte do desembargador. “O Tribunal de Justiça do Amazonas registra, com profundo pesar, o falecimento do membro da Corte, Desembargador Aristóteles Lima Thury, nesta tarde de domingo, na cidade de São Paulo, em decorrência de complicações da covid-19. Aristóteles Thury, que atualmente exercia a presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, era magistrado de carreira, além de professor universitário, jurista extremamente respeitado por seus conhecimentos jurídicos e formação humanística. A dor da perda de figura tão importante é imensa e a todos atinge, sendo a solidariedade à família e amigos fundamental neste momento”, disse a nota assinada pelo presidente da corte, desembargador Domingos Chalub.

No biênio 2018/2020, o desembargador foi vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e corregedor do TRE-AM. Thury também lecionou as disciplinas de Direito Penal e Processual Penal em algumas faculdades do Amazonas, graduado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (1976) e pós-graduado em Direito Penal e Direito Penal e Direito Processual Penal pela Fundação Universidade do Amazonas (2000). Magistrado de carreira,  tomou posse no cargo de juiz de Direito em 1980, atuando em comarcas do interior do Estado. Em 1991 foi promovido a juiz da capital.

Em 2002 foi admitido membro da corte do Tribunal Regional Eleitoral como Juiz de Direito da classe dos magistrados, onde permaneceu por quatro anos. Foi ainda, membro do órgão colegiado do Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas – PROVITA/AM. Em 2005, assumiu como 1º Diretor da Escola Judiciária Eleitoral do TRE/AM.

Em 2008, foi eleito, pelo critério de merecimento, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas. Em 2010 foi designado membro da corte do Tribunal Regional Eleitoral como Substituto da classe dos Magistrados (Desembargador). Um ano mais tarde, assumiu a Presidência da Associação dos Magistrados do Estado do Amazonas (AMAZON), sendo reeleito para o cargo em 2011. Na Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) foi membro do Conselho fiscal de 2011 a 2013.

Foi presidente da comissão que coordenou o concurso público do TJAM, em 2012. Assumiu, em 2014, a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas, permanecendo na função, assumiu o cargo de Corregedor-Geral de Justiça, entre julho de 2016 e julho de 2018.

Em 2020, foi eleito presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cujo mandado se encerraria em 2022. O desembargador Thury também traz em seu currículo a experiência de coordenar os juizados Especiais Cíveis e Criminais da Capital e do Interior, função para o qual foi designado em 2015.

O Desembargador Domingos Chalub, Presidente do TJAM teve uma longa amizade com o homenageado. “Conheci o saudoso e querido Thury ainda muito jovem. Filho de Althair Thury, Promotor de Justiça do Amazonas,  um dos integrantes do MP mais ferrenho e combatente no Tribunal do Júri. O nosso Thury formado em Direito seguiu a magistratura com dedicação e denodo. Prestou jurisdição em Barcelos no Alto Rio Negro numa época em que não existia as comunicações avançadas que temos hoje e muito menos meios de transpor regulares. Mas muito dinâmico e ativo distribuía justiça com rapidez e praticidade sendo muito aclamado pela comunidade. Eu era advogado nos idos de 1980 e tive a oportunidade de participar de audiências sobre a batuta do equilibrado e respeitado juiz Thury. E depois eu já na cadeira de desembargador e ele também, tivemos o deleite de trocarmos ideias no Colégio Plenário. Sua partida nos deixa saudades muito sentidas.

“Lembrar do Desembargador Thury, é também lembrar de um grande amigo de infância”, declarou o Diretor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas-ESMAM, Desembargador João Simões. “Quando crianças, nos encontrávamos nos chamados balneários, nos arredores de Manaus, especialmente os que ficavam às margens do Mindu, o  Guanabara, o  Tucunaré e tantos outros. Depois, já adultos, formados em Direito, eu fui para a advocacia enquanto meu amigo Thury foi para magistratura. É relevante lembrar que ele também desempenhou brilhantemente a função de professor, sempre voltado para a área criminal. Foi mestre de várias gerações de advogados, juízes, promotores de justiça, defensores públicos, grandes operadores do Direito que atuam no nosso Estado e até fora dele.”.

Em sua fala, continuou o Desembargador João Simões: “Mais recentemente, nos encontramos como magistrados na Corte de Justiça do Amazonas. Aquela amizade que tínhamos desde a infância, com a convivência, se solidificou. Eu tive a grata satisfação de ter o Desembargador Thury comigo na gestão do TRE-AM, eu como Presidente e ele como Vice e Corregedor. Com essa sinergia conseguimos realizar diversas eleições, geral e algumas suplementares municipais. Nosso entrosamento e parceria foram fundamentais para que tenhamos conseguido conquistar o selo Diamante em 2019, premiação que consagrou o grande êxito da nossa gestão, e como bons companheiros de trabalho, fomos juntos à solenidade receber o honrado prêmio concedido pelo Conselho Nacional de Justiça.

Para mim é uma extraordinária emoção falar deste grande amigo que partiu antes do momento combinado. Mas, pela sua história de vida, como amigo leal, pai exemplar, um esposo carinhoso, eu tenho certeza que meu amigo Thury está hoje abrilhantando o reino dos céus. É uma oportunidade importante poder falar sobre o Thury e prestar essa homenagem a quem muito honrou e dignificou a carreira da magistratura nacional”, finalizou o Desembargador João Simões.

A Vice-Presidente do TJAM, Desembargadora Carla Reis, trabalhou ao lado do Desembargador Thury por muitos anos e disse que ficou na sua memória o grande homem e profissional.” Penso que posso definir o Desdor. Thury como um homem que tinha a alegria e a generosidade compatíveis com o seu tamanho. Essa seria a definição mais precisa dele”, declarou Carla Reis.

Outra magistrada que tem boas lembranças do Desembargador Thury é a  Desembargadora Nélia Caminha Jorge, Corregedora-Geral de Justiça do Amazonas. "Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do desembargador Aristóteles Thury na magistratura do Amazonas e de integrar, com ele, por vários anos, o colegiado de desembargadores da Corte Estadual de Justiça. Sua partida súbita, em virtude de complicações ocasionadas pela Covid-19, na ocasião em que ele exercia a presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) representa uma perda para o Poder Judiciário brasileiro. Sua competência, seriedade e compromisso para com o Direito são legados por ele deixados. A Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas lamenta profundamente seu falecimento e deseja que a fé possa confortar seus familiares e amigos", declarou a Corregedora-Geral do TJAM.

Ruy Melo de Oliveira, Analista Judiciário, exercendo, atualmente, o cargo de Diretor-Geral do TRE-AM, teve uma longa convivência  profissional com o Desembargador Thury, tornando-se amigo e grande admirador do magistrado, e tem muitas estórias pra contar sobre o saudoso chefe e amigo. Segundo ele “o Desembargador Thury, era um homem extremamente simples, que cultuava suas amizades de uma forma vibrante, sem dispensar uma boa conversa, de preferência para relembrar os bons tempos e passagens hilárias de sua vida, muitas delas vivenciadas em suas andanças pelo nosso hinterland amazonense, conversa que fluía animada, embalada ao som de uma boa música e regada, sempre que possível, e com parcimônia, a um bom aperitivo.

Nessas ocasiões, adorava recordar sobre o exercício da judicatura nos municípios por onde passou, sobretudo naqueles situados no alto Rio Negro, região pela qual nutria grande afeição, apesar das dificuldades enfrentadas quando de sua atuação, época de muitas privações causadas pelo isolamento e falta de estrutura daquela região.

Nesse mister, destaco, o imenso respeito que o Desembargador nutria pelos militares e autoridades eclesiástica que, segundo ele, desempenharam papel preponderante no desenvolvimento da região, auxiliando de forma significativa no exercício de seu ofício junto à magistratura, particularmente na organização da logística eleitoral dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Izabel do Rio Negro.

Na verdade, sempre que viajávamos em correições pelo interior do estado, o Desembargador nunca deixava de arranjar um tempinho para visitar alguns amigos que fizeram parte de sua vida interiorana. Certamente, que era gratificante ver uma autoridade de seu porte, preservar amizades tão puras e sinceras, geralmente constituídas de pessoas humildes - pescadores, agricultores, indígenas, todos verdadeiros caboclos, enquanto homens da terra – reunidos para uma conversa prazerosa e divertida.

Tais encontros, eram motivo de muita alegria e satisfação para o Desembargador, oportunidade em que relembrava com emoção momentos especiais vividos por ocasião de sua passagem pelo interior, histórias recheadas de aventuras, seja enfrentando as perigosas corredeiras do alto Rio Negro, como adentrando na imensidão da selva amazônica em busca de proporcionar o exercício pleno da democracia às comunidades indígenas, sediadas em regiões fronteiriças do Brasil, cujo acesso era difícil e perigoso.

Relatava suas incursões pelas comunidades indígenas, localizadas nas imediações do famoso "Pico da Neblina", local que despertava no Desembargador verdadeira fascinação diante de sua beleza natural. Neste particular, costumava reclamar por nunca ter conseguido admirar em toda sua plenitude aquela paisagem deslumbrante, quase sempre encoberta pelo manto da neblina.

Na verdade, o Desembargador era um homem muito ligado as suas origens, valorizava demais nossa região, jamais trocava uma inspeção judicial em nossa circunscrição, por alguma reunião de trabalho fora do Estado. Com certeza, o amor pelo Amazonas era algo muito forte na sua vida, seja pelas belezas naturais, seja pelas amizades verdadeiras, conquistadas nos mais diversos rincões desta terra amazônica.

No caso do TRE-AM, entre tantas atribuições assumidas por ele junto ao processo eleitoral, recordo com saudade de sua atuação na Coordenação da Propaganda Eleitoral - Eleições 2000. Naquela oportunidade, conduziu com mão de ferro a campanha eleitoral, comandando pessoalmente blitz diárias pela cidade, recolhendo e apreendendo grande volume de artefatos publicitários de propaganda eleitoral, veiculados em desacordo com os ditames legais. Em razão dessa verdadeira “limpeza na poluição visual da cidade”, combatendo os maus políticos, o Desembargador Thury, então Juiz Eleitoral, recebeu o apelido de “Torquemada Baré”, numa alusão ao Inquisidor da idade média, Tomáz de Torquemada.

 Guardadas as devidas proporções, o inusitado apelido acabou caindo nas graças da população manauara, sendo recebido pela opinião pública como sinônimo de aprovação pelos relevantes serviços prestados em benefício da democracia, na medida em que lutou arduamente para garantir a igualdade entre os candidatos. Tal apelido, acabou despertando na consciência do Desembargador o mais puro sentido do dever cumprido, fazendo com que ele passasse a guardá-lo com carinho e satisfação.

Embora, sua passagem pela Presidência do Tribunal, tenha sido relativamente curta - apenas 10 meses, foi tempo suficiente para organizar e comandar com absoluta maestria o pleito eleitoral mais complexo da história do Brasil, realizado dentro de um cenário de Pandemia, ocasionado um quadro de dificuldades e incertezas, face as dimensões continentais do nosso Estado.

Sem dúvida, o Desembargador Aristóteles Lima Thury, foi um magistrado atuante, comprometido com os interesses da justiça e seu defensor ferrenho. Com seu jeito simples e autêntico, ganhou o respeito e admiração de toda sociedade amazonense! Um amigo que vai fazer falta”.

Ramiro Neto

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