
No coração da maior biodiversidade do planeta, começou a ser desenhado o futuro da jurisprudência ambiental global. Teve início na noite desta quarta-feira (2) a abertura do “X Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal”. Realizado em formato híbrido, até o dia 7 de setembro de 2026, o evento é promovido pelo Instituto Abolicionista Animal (IAA) e pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA), contando com o apoio institucional da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam).
Com o tema central “Direito Animal Mundial Pós-COP30”, esta décima edição transforma a capital amazonense em um epicentro de debate internacional. O congresso conecta líderes, juristas e pensadores de diferentes culturas para compartilhar as pesquisas mais recentes da área e propor soluções para os desafios urgentes que envolvem a capacidade de sentir e a dignidade animal.
A conferência magna de abertura foi conduzida por Tagore Trajano, pós-doutor pela Pace Law School (EUA) e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em sua fala, Trajano traçou um paralelo histórico entre a histórica Rio 92 e os desdobramentos atuais da política climática, defendendo que a verdadeira justiça ecológica exige uma mudança de perspectiva: olhar para o animal não apenas como espécie, mas como indivíduo.
"A pauta é integrar os elementos da natureza — clima, biodiversidade, florestas, água, povos e justiça — e entender que há um elo fundamental ainda negligenciado nesse grande arcabouço: o animal individualizado", provocou o palestrante.
Para o jurista, debates amplos sobre o clima carecem de profundidade se ignorarem o indivíduo senciente. "Como vamos tratar a biodiversidade, a proteção das florestas ou o clima sem falar do animal de forma singularizada?" Ele faz parte desse todo porque ele é a própria floresta viva, ele é a biodiversidade em movimento", completou.
A escolha de Manaus como sede do evento carrega um forte simbolismo prático e político. Segundo Trajano, debater o Direito Animal no Estado faz pleno sentido pelo pioneirismo local e pela centralidade geográfica da região nas discussões climáticas globais.
O palestrante destacou que o Amazonas já larga na frente ao possuir um Código Estadual de Bem-Estar Animal, que reconhece formalmente os animais como seres dotados de senciência (capazes de sentir dor, sofrimento e alegria).
"Estamos no coração do planeta e em um espaço onde essa discussão já molda o cotidiano. Avançamos ao perceber que proteger a floresta em sua totalidade é, essencialmente, proteger os animais que nela habitam", concluiu.
#ParaTodosVerem: a imagem que ilustra a matéria do X Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal mostra a mesa de honra da solenidade de abertura com cinco homens em pé atrás de uma mesa longa de conferência, posicionados à frente de uma grande tela de projeção. O telão exibe o cartaz do "X Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal", ilustrado com imagens de uma onça-pintada, uma arara e um boto-cor-de-rosa. Os homens vestem roupas formais e profissionais; três deles usam ternos (nas cores azul-marinho e cinza), um veste uma farda militar cinza com condecorações e um usa camisa social clara de mangas compridas dobradas. A mesa à frente deles está coberta com uma toalha bege e organizada com copos de vidro e pequenas placas de identificação para cada participante.
Texto: Ramiro Neto
Fotos: Kelly Barcelos
Revisão gramatical: Eliza Maria Luchini
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